Comentário de Evandro de Assis quanto ao uso dos corredores por ciclistas 29/02/2012 no Jornal de Santa Catarina
Legalizem a bicicleta (link)
Não tente ensinar a um ciclista sobre os riscos de pedalar nos corredores de ônibus de Blumenau. Acredite, ninguém melhor do que eles conhece os perigos da disputa de espaço com os gigantes do transporte coletivo. Até outro dia as bicicletas transitavam entre ônibus, carros, motos, caminhonetes, caminhões, furgões, pedestres, postes, buracos e todo tipo de obstáculo urbano imaginável. Perto disso aí, os corredores são uma bucólica estradinha.
Segundo estimativa do Consórcio Siga, passam pela Rua 7 de Setembro 800 ônibus por dia, mais ou menos um a cada dois minutos. Isso quer dizer que mesmo o corredor mais movimentado da cidade é infinitamente mais seguro que a selva do trânsito.
Embora não pedalem, as autoridades de trânsito do município estão cientes disso. Não é à toa que apenas não recomendam o uso das faixas de ônibus, em vez de proibirem. Que jeito? O sistema cicloviário de Blumenau existe, desde 2005, só nas palavras do secretário de Planejamento Walfredo Balistieri. É desanimador.
O Código de Trânsito não menciona o compartilhamento de faixas exclusivas entre bicicletas e coletivos, mas há experiências bem sucedidas mundo afora que poderiam ser copiadas para “legalizar” a situação dos ciclistas e humanizar nosso trânsito. Em Paris, ônibus, táxis e bicicletas dividem a mesma pista, numa relação baseada em civilidade. Em Londres, os condutores dos coletivos são treinados a conviver com a fragilidade das magrelas. A situação se repete em cidades norte-americanas e australianas. O Departamento de Trânsito de Chicago (EUA) chegou a publicar um vídeo na internet para explicar as regras de tráfego a motoristas profissionais e ciclistas.
Como se vê, não é uma ideia nova. Se megalópoles conseguiram, com um pouco de orientação e bom senso também podemos. Só não dá para fingir que bicicleta não existe. Ouço pessoas falando de topografia e de calor sem observar os bairros, onde o uso dos pedais é disseminado. As fotos do Santa de ontem, na Itoupava Norte, mostram trabalhadores e estudantes, de bolsa nas costas, debaixo de sol. Aquela gente não me parece estar a lazer, e, mesmo que estivesse, também tem direito a transitar com segurança.
Pedalar no corredor é contra lei, na calçada não pode e no trânsito não dá. Legalização da bicicleta já!
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quinta-feira, 1 de março de 2012
sábado, 26 de novembro de 2011
Médicos que atendem os pacientes de bicicleta
Médicos que atendem os pacientes de bicicleta. Reportagem no Jornal do Almoço:
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
RBS mobilidade
Hoje saiu em um caderno especial a pesquisa feita em 10 cidades de Santa Catarina sobre mobilidade pelo Grupo RBS.
Podemos ter diversos entendimentos lendo este caderno, mas uma coisa chama a atenção o número de pessoas que utilizariam bicicletas se houvesse estrutura minima de segurança. Claro que nem todos utilizariam a bicicleta para o trabalho, mas muitos provavelmente usariam para deslocamentos curtos com ir a padaria, visitar amigos e outros.
Esta pesquisa mostrou que a população tem consciência e vontade de usar a bicicleta como meio de transporte, mas o que impede é a falta de vontade do poder público em realmente fazer um sistema de mobilidade eficiente.
Link para o Caderno Especial: http://edition.pagesuite-professional.co.uk/launch.aspx?referral=mypagesuite&pnum&refresh=4r0DA16z9Sw1&EID=408d340e-7b86-475e-bea6-e466a5e83e27&skip
terça-feira, 10 de maio de 2011
O faz de conta da mobilidade em Blumenau
A cerca de uns 4 meses fui convidado pelo SINSEPES a escrever uma matéria no Jornal Expressão Universitária, que aceitei. Hoje chegou a edição de maio do jornal, onde foi publicado o texto que escrevi:
O faz de conta da mobilidade em Blumenau
Uma análise das medidas do poder público no setor de mobilidade urbana revela falhas, abandono e falta de compromisso com ciclistas, cadeirantes e pedestres
Carlos R. Pereira, historiador e ciclista, autor do blog bicicletasdovale.blogspot.com/
O programa de aluguel de bicicletas públicas foi cancelado em Blumenau no início de 2011 sob o argumento de que a burocracia para se cadastrar e utilizar o serviço estaria impedindo o crescimento do número de usuários. Concordo que este possa ser um dos motivos, mas sistemas parecidos são usados em diversos lugares e não por isto foram abandonados – inclusive, estão recebendo incentivo. Um exemplo está no Rio de Janeiro, que curiosamente usa o mesmo programa e está aumentando seu sistema cicloviário, ampliando o número de estações e integrando o aluguel das bicicletas a outros modais de transporte.
Em Blumenau, de fato, o maior motivo foi o desinteresse político: poucas e mal posicionadas estações, raros incentivos e a inexistência de um verdadeiro sistema cicloviário. Há muito se vem falando na esfera pública em implantar mais de 140 quilômetros de ciclovias interligadas na cidade, mas após uma década não temos ainda nem 50 quilômetros, estes se constituem aos pedaços, sem ligação segura entre eles nem manutenção adequada.
Constatamos a falta de um plano cicloviário de longo prazo, com a construção de “ciclovias” sem o mínimo critério ou acompanhamento de técnicos interessados e competentes. Os maiores interessados, os ciclistas, não são ouvidos.
A construções de ciclovias importantes são impedidas em nome de um aparente bem estar econômico de alguns comerciantes, que na verdade poderiam ser os maiores beneficiados com o aumento de fluxo de ciclistas em frente ao seu estabelecimento, já que estes transitam de forma mas lenta e, portanto, tem mais facilidade em perceber determinadas lojas.
Mas o problema não se resume apenas aos acessos cicloviários. Os planos de mobilidades, infelizmente, não tem continuidade, não contemplam por completo as pessoas. Atualmente, o carro está perdendo um pouco de espaço para os ônibus através dos corredores exclusivos. A frota de ônibus com acessibilidade cresce aos trancos e barranco por conta de leis federais, mas calçadas e ciclovias estão sendo vítimas de engodos. De que adianta um ônibus com acessibilidade se o cadeirante não tem como se locomover nas calçadas? De que adianta uma calçada compartilhada se esta não dá segurança para o uso de pedestres, cadeirantes e nem ciclistas?
As calçadas compartilhadas são um caso a ser revisto. Este tipo de acesso cicloviário tem que ser muito bem planejado, muitas vezes com o alargamento da calçada, para que não haja perda para o pedestre. Acima de tudo, necessitam de um sistema de sinalização eficiente. Um caso já existente é a calçada da Beira Rio – no trecho entre a Ponte Adolfo Konder e a prefeitura municipal – que foi alargada, mas que nunca teve seu projeto finalizado. Os postes na parte destinada aos pedestres (pavers cinzas) prejudicam o deslocamento, forçando os mesmos para a parte dos ciclistas (pavers vermelhos). A sinalização que informa sobre as áreas preferenciais são escassas, boa parte da população nem sabe que ali há uma ciclofaixa. Os rebaixos das calçadas estão errados, não são rentes a via, deixando um desnível, prejudicando o acesso de ciclista e cadeirantes. Atualmente, a prefeitura está fazendo a segunda parte da reurbanização da Beira Rio. Mas os erros da primeira parte não foram sanados e alguns deles estão sendo repetidos.
Já a marcação nas calçadas da Rua Sete de Setembro vai contra uma mobilidade eficiente. As marcações da ciclovia em alguns pontos não têm 1 metro de largura, espaço mínimo necessário para ser usado por um ciclista de acordo com o Ministério das Cidades – que recomenda um mínimo de 1,20 metro para ciclofaixas em sentido unidirecional. No caso da Rua Sete, a marcação com as duas linhas vermelhas mudam conforme a calçada, não foram feitos acessos adequados para ciclistas e cadeirantes, há locais em que o espaço não é suficiente para que uma bicicleta e um pedestre passem lado a lado. Da forma que foi feita, a ciclofaixa elimina a principal vantagem da bicicleta: a sua agilidade no meio urbano.
Já as novas marcações com pavers da reurbanização da Rua Sete, próximo ao cruzamento com a Floriano Peixoto, têm trechos de 1 metro e 1,10 metros, espaço abaixo do mínimo recomendado para uma ciclofaixa unidirecional. As marcações de travessia de via já pintadas de vermelhas sobre as faixas de pedestre colocam o ciclista em situações de perigo: é possível dar de cara com placas, boca de lobo, meio fios, sinaleiros e canteiros.
Em outras parte da cidade a mobilidade de ciclistas, pedestres e cadeirantes é prejudicada pela falta de manutenção e fiscalização das calçadas – isto quando há calçada. Em áreas onde há ciclovias ou ciclofaixas, a falta de calçadas em bom estado, área segura para pedestres e cadeirantes, faz com que estes optem por usar as áreas destinadas à bicicletas. Exemplos ocorrem nas ruas 25 de Julho (Itoupava Norte), Antônio Treis (Vostard), entre muitas outras. Invertendo o problema, mas motivados pela mesma causa, falta de segurança, os ciclistas invadem as calçadas, já que não são respeitados na via pelos condutores de carros, ônibus e motos.
Muitas áreas cicláveis foram construídas com descaso dos órgãos públicos responsáveis. Se alguém passar pela Rua Profº Hermann Lange, no Fidélis, verá uma obra feita sobre supervisão da administração municipal, onde há postes, placas, ausência de rebaixos, pontos de ônibus, desníveis, bocas de lobo e muitas outras barbaridades que inviabilizam tanto a calçada e a ciclofaixa como locais seguros.
Infelizmente parece que, quando se fala em plano de mobilidade, a administração blumenauense vem há tempos fazendo “um faz de conta”. Planos de mobilidade que não abrangem por completo a busca de uma cidade verdadeiramente mais humana e coletiva, única solução para os problemas gerados pela individualização dos meios de transporte.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Guerra aos carros na Europa
Aqui o pessoal acha que é modismo ou que estão fazendo do carro uma Geni.
Santa 04/04/2011: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1914,3262000,16823
Bom na Europa a Geni está sendo colocada no cadafalso.
O carro da maneira que esta sendo usado já é um problema, não só aqui, mas em todo mundo. É um bem de consumo que traz diversos problemas a sociedade quando usado indiscriminadamente.
Em alguns países e cidades o carro como meio de locomoção urbana, já é considerado "persona non grata".
Cidades consideradas com melhores condições de vidas são na sua maioria as com serias restrições ao uso do carro.
Hoje no Jornal do Santa saiu uma reportagem onde fala que em 2050 o uso de carro movidos a combustíveis fósseis terá o seu fim naquele continente. Só em museu ele continuará a existir.
Santa 04/04/2011: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1914,3262000,16823
Guerra aos carros na Europa
Veículos a diesel e gasolina poderão ser banidos das cidades da União Europeia até 2050 para diminuir pegada de carbono do bloco e a dependência do petróleo importado
Os centros urbanos europeus poderão ganhar ares de antigamente daqui a algumas décadas, se a indústria automobilística não se esforçar ainda mais em encontrar alternativas de veículos que não sejam movidos por combustíveis fósseis. A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), propôs na semana passada que, até 2050, todos os carros a diesel e gasolina sejam eliminados das cidades do 27 países que integram o bloco.
A medida – parte do relatório Transporte 2050, divulgado em Bruxelas – é vista pelo órgão como um esforço inevitável para conter uma série de problemas crescentes no continente: os congestionamentos nas ruas, a dependência do petróleo importado e sua iminente escassez, e a urgente necessidade de reduzir as emissões na atmosfera de gases do efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2). A estimativa é de que o bloco precise diminuir, até 2050, entre 80% e 95% das emissões em comparação aos níveis de 1990 – 60% apenas no setor de transporte.
Para isso, a UE necessitará de uma rede mais ampla e funcional de corredores de transporte, incluindo conexões de trem entre os principais aeroportos do bloco e a modernização e a integração do sistema de controle do tráfego aéreo. O comissário de Transportes do bloco, Siim Kallas, também elaborou planos para migrar para o transporte ferroviário metade das chamadas jornadas de distância média – a partir de 300 quilômetros – feitas atualmente por automóveis.
Como era esperado, as propostas foram recebidas com críticas. A Associação dos Motoristas Britânicos, por exemplo, considerou a ideia “economicamente desastrosa” e uma “restrição maluca” à mobilidade.
– Sugiro que Kallas se interne em um hospício – ironizou Hugh Bladon, porta-voz da entidade, em declaração ao jornal britânico The Telegraph.
Segundo o comissário, as medidas não pretendem prejudicar a mobilidade dos viajantes europeus:
– Podemos quebrar a dependência de petróleo do setor de transportes sem sacrificar nossa eficiência ou comprometer a mobilidade. A liberdade de viajar é um direito básico de nossos cidadãos. Reprimir isso não é uma opção.
AS METAS
Estimativas indicam que a União Europeia precise reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 80% e 95% em relação aos níveis de 1990 até 2050
Análise da Comissão Europeia indica que, embora outros setores da economia possam fazer grandes cortes, uma redução de pelo menos 60%, até 2050, nas emissões em relação aos níveis de 1990 é necessária do setor de transporte, uma fonte significante e ainda crescente de emissões
AS PROPOSTAS
Reduzir à metade o número de carros movidos a diesel e gasolina nos centros urbanos do bloco até 2030, e bani-los até 2050. O transporte no centro das grandes cidades deverá ser feito sem emissões de gases até 2030
Diminuir em 40%, até 2050, as emissões do setor da aviação, com o uso de combustíveis limpos. Além disso, reduzir em pelo menos 40% as emissões do setor de cargas marítimo (de preferência, 50%)
Migrar para o transporte ferroviário ou marítimo metade das chamadas jornadas de distância média – a partir de 300 quilômetros – feitas atualmente por automóveis até 2050
Triplicar o comprimento das ferrovias recentes até 2030. Até 2050, a maior parte das viagens de média distância deverão ser feitos por trem
Até 2050, conectar todos os aeroportos principais do bloco por ferrovias, de preferência de alta velocidade. Garantir que todos os principais portos estejam suficientemente conectados às ferrovias
Até 2020, estabelecer um sistema europeu multimodal de transporte que unifique informações, gerência e pagamento em todo o continente
Até 2050, praticamente zerar o número de mortes no trânsito, que deverão ser reduzidas à metade até 2012
A medida – parte do relatório Transporte 2050, divulgado em Bruxelas – é vista pelo órgão como um esforço inevitável para conter uma série de problemas crescentes no continente: os congestionamentos nas ruas, a dependência do petróleo importado e sua iminente escassez, e a urgente necessidade de reduzir as emissões na atmosfera de gases do efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2). A estimativa é de que o bloco precise diminuir, até 2050, entre 80% e 95% das emissões em comparação aos níveis de 1990 – 60% apenas no setor de transporte.
Para isso, a UE necessitará de uma rede mais ampla e funcional de corredores de transporte, incluindo conexões de trem entre os principais aeroportos do bloco e a modernização e a integração do sistema de controle do tráfego aéreo. O comissário de Transportes do bloco, Siim Kallas, também elaborou planos para migrar para o transporte ferroviário metade das chamadas jornadas de distância média – a partir de 300 quilômetros – feitas atualmente por automóveis.
Como era esperado, as propostas foram recebidas com críticas. A Associação dos Motoristas Britânicos, por exemplo, considerou a ideia “economicamente desastrosa” e uma “restrição maluca” à mobilidade.
– Sugiro que Kallas se interne em um hospício – ironizou Hugh Bladon, porta-voz da entidade, em declaração ao jornal britânico The Telegraph.
Segundo o comissário, as medidas não pretendem prejudicar a mobilidade dos viajantes europeus:
– Podemos quebrar a dependência de petróleo do setor de transportes sem sacrificar nossa eficiência ou comprometer a mobilidade. A liberdade de viajar é um direito básico de nossos cidadãos. Reprimir isso não é uma opção.
AS METAS
Estimativas indicam que a União Europeia precise reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 80% e 95% em relação aos níveis de 1990 até 2050
Análise da Comissão Europeia indica que, embora outros setores da economia possam fazer grandes cortes, uma redução de pelo menos 60%, até 2050, nas emissões em relação aos níveis de 1990 é necessária do setor de transporte, uma fonte significante e ainda crescente de emissões
AS PROPOSTAS
Reduzir à metade o número de carros movidos a diesel e gasolina nos centros urbanos do bloco até 2030, e bani-los até 2050. O transporte no centro das grandes cidades deverá ser feito sem emissões de gases até 2030
Diminuir em 40%, até 2050, as emissões do setor da aviação, com o uso de combustíveis limpos. Além disso, reduzir em pelo menos 40% as emissões do setor de cargas marítimo (de preferência, 50%)
Migrar para o transporte ferroviário ou marítimo metade das chamadas jornadas de distância média – a partir de 300 quilômetros – feitas atualmente por automóveis até 2050
Triplicar o comprimento das ferrovias recentes até 2030. Até 2050, a maior parte das viagens de média distância deverão ser feitos por trem
Até 2050, conectar todos os aeroportos principais do bloco por ferrovias, de preferência de alta velocidade. Garantir que todos os principais portos estejam suficientemente conectados às ferrovias
Até 2020, estabelecer um sistema europeu multimodal de transporte que unifique informações, gerência e pagamento em todo o continente
Até 2050, praticamente zerar o número de mortes no trânsito, que deverão ser reduzidas à metade até 2012
sexta-feira, 18 de março de 2011
Geni.
Nesta semana o uso de bicicleta como meio de transporte, recebeu no Jornal de Santa Catarina opnião contraria e defensoras do carro.
O colunista Cezar Zillig comparou o carro a Geni, personagem sofredora do Teatro de Arena, peça "Opera do Malandro", retratada em musica por Chico Buarque "Geni e o Zeppelin" ver vídeo ao final.
As opiniões a favor do carro:
Colunista Cezar Zillig:
"Geni
Com a angústia decorrente do trânsito lento, espesso, engarrafado, com as controversas medidas tomadas para aliviar o caos das ruas – algumas bizarras, como as “ciclofaixas” pra cima de pedestres – corredores de ônibus etc., virou moda demonizar o automóvel. Agora é “in” criticar automóvel, insinuar que motoristas sejam todos animados por egoístas interesses burgueses etc. Falar mal de automóvel confere uma imagem de atualização, altruísmo, esclarecimento. O automóvel – e seus usuários – corporificam a Geni da vez em que todos querem atirar caca.
É óbvio que o excesso de veículos nas ruas é um problema. Qualquer um enxerga isto. Reconhecer consequências é fácil; mais difícil é identificar causas.
A situação é mais grave do que parece e as consequências mais extensas. A sociedade moderna viceja baseada no consumo: consumo de qualquer coisa, essencial ou supérflua, é necessário para que seus produtores tenham uma justificativa para continuarem sobrevivendo. A sociedade moderna e seu estilo de vida se encontra refém de um diabólico ciclo vicioso: estamos condenados a crescer e consumir. É uma das armadilhas ecológicas em que nos metemos.
Em meados da década de 50, o presidente Juscelino Kubitschek optou por desenvolver a indústria automobilística – e a construir rodovias – em detrimento do transporte ferroviário. Uma decisão discutível até hoje.
O progresso que o Brasil provincial experimentou desde então é inegável. O advento da indústria automotiva ensejou o desenvolvimento de todo o parque industrial nacional. O mercado também se expandiu. Hoje o mercado automobilístico representa 10% do PIB nacional. Especialistas avaliam que um quarto do valor agregado do setor industrial decorra da indústria automotiva. O Brasil é o sexto maior fabricante de veículos e o quinto maior consumidor de automóveis, ficando atrás apenas dos EUA, China, Japão e Alemanha.
O automóvel não é apenas um meio de transporte; é um dos meios de vida nacional. É recomentável, antes de vociferar contra os carrinhos engarrafados, considerar as milhares de pessoas – aqui em Blumenau mesmo – que têm seus empregos direta ou indiretamente relacionados à indústria automobilística. Pessoas que são meus, teus, nossos clientes, fregueses, fornecedores, prestadores de serviços etc. Portanto, devagar com o andor".
E do senhor Eduardo Schlup, Dentista além de defender o carro atacou os defensores da bicicleta como meio de transporte:
"CEZAR ZILLIG (1)
Muito sábias as palavras do colunista Cezar Zillig, no artigo Geni (Santa, 14 de março), sobre os constantes ataques ao uso do automóvel. Hoje em dia, os politicamente corretos fazem a apologia da bicicleta, se esquecendo que a maioria da população, principalmente os mais humildes, detestam este tipo de transporte. Quem defende a bicicleta é porque nunca precisou usá-la. Pobre quer é carro, que traz conforto e segurança. A maioria dos defensores da bicicleta o fazem para parecer modernos e ecologistas."
A resposta a estas duas pessoas veio aos montes, minha caixa de e-mail ficou cheia, nem consegui ler a metade ainda. E na sessão cartas do Jornal de Santa Catarinas muitos destes "modernos e ecologistas" responderam, não vou transcrever todas, pois são muitas e algumas bem grandes. Só o artigo publicado, no mesmo jornal, do Senhor Jonatha Jünge (http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,3243573,16709), mas não a versão com cortes do Jornal e sim a que recebi em e-mail, um daqueles muitos, que não li a metade ainda.
Fiquei bastante surpreso com a comparação entre a personagem Geni e os automóveis, tinha tudo para ser a mais pura ironia. Numa cidade onde o pedestre é reprovado publicamente, na capa do jornal, como o mal educado do trânsito, me custa acreditar que o carro seja o injustiçado da história.
O desenvolvimento da indústria automobilistica no Brasil também nos colocou em outro 5o. lugar num ranking mundial: o de mortes no trânsito. Aproximadamente 35 mil pessoas morrem anualmente no trânsito brasileiro. Se adicionarmos o stress provocado pelo trânsito e o sedentarismo daqueles que não sabem sair de casa sem seu carro, não fica dificil imaginar que uma sociedade com menos carros e maior aproveitamento da energia humana seria no mínimo mais longeva (sem contar a qualidade de vida).
Quanto às vidas (ou melhor, empregos) que dependem da indústria automobilística, vale dizer que se a quantidade de incentivos e financiamentos que as montadoras recebem fosse aplicado em outras áreas, como por exemplo na indústria téxtil e agricultura familiar, nossa região e todo país poderiam ser beneficiados. Além disso, o montante da renda familiar dedicado à compra e manutenção de um veículo (em certos casos acima de 50%) poderia ser utilizado no consumo de outros bens e serviços, aquecendo assim outras áreas da economia -- desde que a cidade, e seus usuários, deêm condições para se caminhar, pedalar e utilizar o transporte público.
(Em 2007 a prefeitura de São Paulo retirou todos os outdoor da cidade, e os empresários do setor apontaram o aumento do desemprego como um justifica para manter suas atividades. Sub-empregados como coladores de cartazes continuam na informalidade, e agências de publicidade passaram a investir mais em mídias como jornais e rádio, e também em patrocínio à eventos culturais, artísticos e esportivos).
Londres aplica taxas pesadas para carros que circulam no centro e expande vertiginosamente sua malha cicloviária. Nova Iorque fechou a Times Square somente para pedestres, seguindo projeto de Jan Gehl, urbanista dinamarquês que na década de 1980 foi chamado de louco por proibir o tráfego de carros no centro de Copenhagen (machetes no jornal diziam "Não somos a Itália", por conta do clima do país nórdico pouco convidativo para sair na rua) - vale a pena conferir o efeito em escala mundial. Bogotá é o exemplo latino americano que dispensa comentários. Inverteram a ordem: "primeiro as pessoas, depois ruas, depois edifícios".
Utilizamos um motor com centenas de cavalo-força para mover uma massa de toneladas, que estatisticamente carrega pouco mais de uma pessoa... Não se trata de demonizar o carro, mas é preciso dar nome aos bois e saber identificar o problema: a cultura do automóvel é o modismo que custa a passar.
"Podemos então falar de uma cultura' automotiva? Sim, pelo fato das relações derivadas do uso do automóvel impregnarem, de determinada maneira, o jeito de ser do homem modernizado: eles se reconhecem pelo carro que têm e nem imaginam como seriam suas vidas sem 'Ele'."
(Tatiana Schor em “O Automóvel e o Desgaste Social” - Revista São Paulo em Perspectiva, vol.13-nº3, 1999)
Um abraço e espero pedalarmos juntos novamente!"
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O Fiasco das bikes.
Já postei aqui um texto do Professor e colunista do Jornal de Santa Catarina Maicon Tenfen, quando ele fez uma descrição detalhada do "Blumenauense Fundamental". No dia de ontem ele escreveu na sua coluna no jornal o seguinte Texto:
O fiasco das bikes (Link)
Olha, eu nem pretendia tocar no assunto, mas a indignação dos leitores do Santa é tão onipresente nas cartas da página 2 que, movido por sentimentos humanitários (e por uma pontinha de sarcasmo), vejo-me na obrigação de discutir o fracasso do aluguel de bicicletas em Blumenau. Segundo boa parte dos leitores que se manifestaram, as bikes foram retiradas devido à ausência de infraestrutura adequada para o tráfego de ciclistas, isto é, devido à ausência de ciclovias de verdade, diferentes desses riscos fajutos que pintaram nas calçadas. Mas tem um detalhe importante: na época em que improvisaram as tais ciclofaixas, em 2009, muitos habitantes da cidade e, pior, inúmeros especialistas em desenvolvimento urbano bateram palmas para a preguiça da prefeitura.
Lembro bem disso porque, em 13 de outubro de 2009, fiz o seguinte comentário aqui na coluna:
“Os especialistas aprovam (as ciclofaixas) e, segundo enquetes realizadas entre os blumenauenses, tanto pedestres quanto ciclistas não veem problema na iniciativa, acreditam que há espaço para todos e que as faixas são sinônimo de segurança (...) Ora, a ideia das ciclofaixas sobre as calçadas é bastante estranha para um matuto como eu. Na época em que me locomovia de bicicleta, aprendi uma regra de ouro (...): se estiver pedalando, JAMAIS trafegue sobre as calçadas, pois elas são o habitat natural dos pedestres.” Terminei o texto perguntado se o “golpe” das ciclofaixas, em vez de resolver um problema e representar o progresso da cidade, não estaria criando um transtorno para todos nós.
Como sempre, optou-se por acreditar que eu – e outros críticos da impostura das ciclofaixas – gosto de nadar contra a corrente. É que Blumenau tem um conceito muito peculiar de civilidade e desenvolvimento. Preferimos a comodidade da aparência à trabalhosa mão-de-obra da essência. Se um problema PARECE resolvido, se PARECE aos olhos dos turistas de outubro que temos “ciclovias” e bicicletas de aluguel, então tudo está muito bem.
Mas sejamos otimistas. Quem sabe, depois desse fiasco inicial, alguém da prefeitura resolva investir com responsabilidade no transporte ciclístico. Caso contrário, se for só para remediar, será melhor que, apesar da nossa notória mania de grandeza, admitamos a nossa condição de cidade incrustrada numa desamparada republiqueta de terceiro mundo.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Bicicletas de Aluguel. (No Santa 4º Dia)
No Jornal de Santa Catarina deste fim de semana:
Jornal de Santa Catarina: 29/01/2011 | N° 12163
Cartas:
ALUGUEL DE BICICLETAS (1)
Já era de se esperar a retirada das bikes de aluguel das ruas de Blumenau. Em primeiro lugar, o poder público deveria ter se preocupado em construir ciclovias e estacionamentos para bikes no Centro, antes da implantação desse serviço. Se tivéssemos ciclovias interligadas e estacionamento (coberto), o uso da bike seria maior, com menos automóveis.
Lauro Wehmuth
Corretor de imóveis - Blumenau
Lauro Wehmuth
Corretor de imóveis - Blumenau
ALUGUEL DE BICICLETAS (2)
Além da falta de conexão entre as ciclovias de Blumenau, o uso destas pelos pedestres como calçada e dos automóveis como estacionamento são apenas alguns dos motivos da baixa utilização da bike como meio de locomoção. Depois de cada chuva, imensas poças de água e lama permanecem por dias. E o pior: a maioria dos logradouros públicos não possui local para estacionar a bike, a exemplo do Parque Ramiro Rudiger, onde temos que acorrenta-lá em postes e cercas.
Hans Bethe
Empresário - Blumenau
Hans Bethe
Empresário - Blumenau
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Bicicletas de Aluguel. (No Santa 2º Dia)
Hoje no Jornal de Santa Catarina, continuação das matérias sobre a desativação das Bicicletas de Aluguel:
Jornal de Santa Catarina: 26/01/2011 | Nº 12160
Cartas:
BICICLETAS (1)
Parabéns pela reportagem Bicicleta, só se for particular (Santa, 25 de janeiro). Sou natural de São Paulo, Capital, e mudei para cá em 2007, pela excelente qualidade de vida que tenho aqui. Porém, acompanho com muita apreensão o desenvolvimento do trânsito em Blumenau e vejo com muita tristeza o fim de uma iniciativa que poderia dar muito certo se o processo fosse simplificado e a infraestrutura adequada.
Elias Nascimento Júnior
Blumenau
BICICLETAS (2)
É uma pena o serviço de aluguel de bicicletas ter chegado ao fim. É algo tão promissor, sustentável, um sistema que os países desenvolvidos já adotam no dia a dia há tempos. Deveriam ser corrigidas as falhas, incentivado o uso, mas não ter abolido o serviço. É praticamente um retrocesso.
Thaís de Lima
Publicitária - Blumenau
BICICLETAS (3)
A previsão da indústria é de que em 2015 será atingida a produção de 5 milhões de veículos por ano no Brasil. Como resultado disso, as pessoas motorizadas assistirão de camarote, ou seja, no conforto do seu automóvel, mas paradas no mesmo lugar, o ônibus e a bicicleta seguirem ao seu destino. Pela força das circunstâncias, o futuro do automóvel não é nada promissor.
Edson Passold
Advogado - Blumenau
Aluguel de bicicletas será reformulado
Prefeito de Blumenau garante que o serviço voltará às ruas até o final de 2012
BLUMENAU - As bicicletas de aluguel vão voltar a circular pelas ruas da cidade até o final de 2012. A afirmação é do prefeito João Paulo Kleinübing. Segundo ele, a suspensão do sistema de locação, ocorrida sexta-feira, é temporária para reformulação. Em entrevista ao Santa, ontem, o prefeito garantiu que o serviço voltará a ser implantado após a conclusão das obras dos corredores de ônibus, da recuperação da calçada da Rua 7 de Setembro e da ampliação da malha cicloviária. As três obras estão previstas para serem finalizadas até dezembro do ano que vem. A ideia é interligar o transporte coletivo e as ciclovias e criar um cartão de mobilidade urbana que servirá tanto para andar de ônibus quanto para alugar as bicicletas.
O Consórcio Siga contratou a empresa pernambucana Serttel para disponibilizar bicicletas para aluguel em setembro de 2009. Quatro meses depois da implantação, a média de locação não chegava a quatro por dia. Semana passada, a empresa contratada, o Seterb e o Consórcio Siga avaliaram que a operação ficou inviabilizada pela baixa procura do serviço. A Serttel retirou as bicicletas das ruas sexta-feira. Ontem, pelo segundo dia seguido, a reportagem do Santa tentou contato com a direção da empresa, mas não obteve retorno para as ligações.
RAQUEL VIEIRA
“O sistema precisa ser interligado para dar certo”
João Paulo Kleinübing, prefeito de Blumenau
Um dos maiores entusiastas do serviço como alternativa ao trânsito urbano, o prefeito João Paulo Kleinübing reconhece que o projeto não prosperou. Atribui o insucesso à falta de interligação das ciclofaixas e ao processo burocrático necessário ao se obter os créditos para uso das bicicletas, que exige cartão de crédito e acesso à internet. Mas garante que a proposta não foi abandonada. A intenção é retomá-la até o final de 2012, passando a exigir apenas o Cartão Siga para retirar as bicicletas. Até lá, as ciclofaixas das principais ruas serão reformuladas com a implantação dos corredores de ônibus. A pretensão é interligar as ciclovias com os terminais da Proeb, Aterro, Fonte e Fortaleza. Com a integração, o usuário poderá optar por seguir um trecho de bicicleta e outro com ônibus, pagando apenas uma passagem.
Jornal de Santa Catarina - A desativação do sistema de aluguel de bicicletas não é um retrocesso ?
João Paulo Kleinübing - Na verdade, o serviço não foi desativado, está em reformulação. Ele não vinha tendo o uso que gostaríamos. O sistema cicloviário precisaria estar totalmente interligado, há a integração com os ônibus. O que faremos é preparar as ciclovias para terem ligações com os terminais, para a partir daí poder integrar a bicicleta ao sistema de transportes. A ideia é fazer o Cartão Siga liberar a bicicleta, sem cobrar nova tarifa.
Santa - Por que o serviço não deu certo?
Kleinübing - A falta de interligação das ciclovias é um deles. Além disso, temos que trabalhar com a facilitação da tecnologia para conseguir no próprio Cartão Siga a liberação da bicicleta. Aí ele seria o cartão de mobilidade e não apenas do ônibus. Sai do terminal e pega a bicicleta com o mesmo cartão.
Santa - Qual o planejamento para ampliar o sistema de ciclovias ?
Kleinübing - O serviço está sendo reformulado justamente para melhorar as ciclovias instaladas sobre as calçadas. Por isso digo, o projeto do corredor não é só para o ônibus, abrange o corredor, a calçada e a ciclovia. A licitação da calçada da Rua 7 de Setembro está em andamento, é por onde vai começar a implantação do sistema, e depois a calçada da Beira-Rio, que já está em obras. E não só Fonte, Proeb e Aterro, mas fazendo a ligação com o Terminal da Fortaleza. Haverá outras obras para alcançar esses terminais, para que de fato o sistema seja interligado e dê certo. A prioridade é fazer a interligação dos quatro terminais, para fazer sentido. E o prazo é conseguir concluir tudo isso até o final do ano que vem. (Colaborou Cristian Weiss)
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Cicloturismo no Santa
No sábado, nada menos que 4 páginas do jornal continham matérias dedicada a "La petiti Reine"*, uma a do post anterio,r sobre o desrespeito a ciclovia, e três ao Ciloturismo.
Na matéria sobre ciloturismo coloco diversas ressalvas. Mas esta modalidade de turismo aparecer no Jornal de Santa Catarina é um ponto positivo.
Entre os erros que encontrei no anexo, posso assinalar o uso de cotoveleiras e joelheiras para pessoas de idade. Cicloturismo não é esporte radical e estes apetrechos só vão atrapalhar e tornar a viagem mais desconfortável. Nunca cai da bicicleta durante viagens de cicloturimo.
Outra coisa que fala é que o ideal são bicicletas "cross country" entendo como MTB. O que acho um erro há bicicletas para diversos tipos de cicloturismo, eu uso uma MTB (montobike), pois gosto de variar entre estradas de chão e asfalto, e meus pneus são semi-slick. Como não gosto de trilhas estes tipo de pneu se ajusta bem ao meu gosto. Mas quem pretende fazer cicloturismo apenas em estrada de asfalto, uma bicicleta city-tour ou mesmo uma Speed com adaptações (coloco como exemplo a Caloi 10, apesar de divergência se é ou não speed), podem ser usada. As city-tour são largamente usadas na europa para este tipo de modalidade de turismo.
Outra, apesar de ser uma Atividade física, cicloturimo não é esporte, pelo menos não o considero, é sim uma forma de turismo.
O desenho no centro do anexo está em total descoformidade com o texto, lá apresenta uma bicicleta speed sem bagageiro.
Nem todos os cicloturista, levam acessórios de cozinha e barraca isto depende muito de como você planeja a viagem. Eu acho peso desnecessário, só levo comida suficiente para lanches, faço minhas refeições em lanchonetes e restaurante, durmo em hotéis baratos. Isto reduz peso o que facilita a viagem.
Mas vamos a Matéria:
Cansado da rotina? Quer encarar um desafio de verdade? Arrume a mochila, prepare a bike e caia na estrada! E se você é ciclista de primeira viagem, confira aqui como chegar são e salvo até o fim da sua jornada
Encontrar pessoas hospitaleiras, outras nem tão amigáveis assim. Observar paisagens deslumbrantes, mas também ver muito lixo espalhado. Ser acolhido para dormir em um confortável quarto em uma noite e, na outra, ter apenas uma barraca para se proteger do frio e da chuva. E, acima de tudo, fazer amizades e conhecer histórias de vida. Estes são alguns dos momentos, desafios e recompensas que estão no caminho de um cicloturista, o ciclista que percorre longas distâncias, levando na bagagem apenas o essencial e uma determinação ferrenha. Vale desde fazer uma viagem curta, de apenas um dia, até passar vários meses fora de casa, na estrada, como o caso do aventureiro blumenauense Tarciso Tomaselli, que percorreu este ano mais de 7 mil quilômetros pela América do Sul, em três meses e 15 dias.
Para o psicólogo, psicoterapeuta e coordenador da Faculdade de Psicologia do Ibes/Sociesc, Antonio Gomes da Rosa, pessoas que se submetem à prática de esportes mais radicais ou alternativos, como o cicloturismo, normalmente são mais competitivas. Durante a viagem, em cada etapa vencida, o corpo e a mente produzem sensações que variam da liberdade extrema até a superação de si mesmos. Para o cicloturista, desbravar o novo e contar com o inusitado garantem momentos de prazer, satisfação e poder. E aí, vai encarar?
MORGANA MICHELS|Especial/Santa
Anexo em PDF: http://www.clicrbs.com.br/pdf/9658731.pdf
Apesar dos erros,como falei interiormente é um ponto positivo, fico satisfeito em ver no Jornal de Santa Catarina matéria sobre este assunto.
* La petite reine, A pequena rainha, segundo Ricardo Engle escritor do livro Pedalando no Tempo, é como os franceses do século passado identificavam a Bicicleta.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
22 de Setembro:
Infelizmente hoje o tempo não ajudou, mas mesmo assim minha teimosia não permitiu que eu fosse para o serviço de carro, coloquei minha capa de chuva e tenho que disser, que passear de bicicleta na XV de Novembro em dia de chuva e sem carro é incrível.
E não fui o único a sair de bicicleta em um dia de chuva, pois vi diversas andando ou estacionadas no centro da cidade.
Dia 22 de Setembro "Dia Sem Carro" na impresa Blumenauense no dia 22 de setembro:
Segue matérias no Joranl de Santa Catarina:
22 de setembro, Dia Sem Carro. (Link)
O dia 22 de setembro é conhecido mundialmente como o “Dia Sem Carro”. Em 2008, quando assumi uma vaga no Legislativo como suplente de vereador, dei entrada no Projeto de Lei nº 7.231/2008 que incluía a data como parte do calendário oficial de eventos no município.
Como apoiador da ABC Ciclovias, acredito na importância dessa iniciativa. Falamos tanto em otimizar o planejamento urbano e ninguém calcula a diferença que podem fazer pequenas atitudes, como deixar o carro em casa por um dia e utilizar meios alternativos para se locomover.
Na última sexta-feira, os blumenauenses receberam uma boa notícia. A prefeitura fechou um contrato de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de R$ 212 milhões, que devem ser destinados a obras de mobilidade urbana. Dentre essas obras, estão os corredores de ônibus, ciclovias e passeios públicos, que vão colaborar para a maior fluidez do tráfego.
A criação de novas alternativas é necessária para o desenvolvimento da cidade. Blumenau cresce em ritmo acelerado. Em 2005, a média de veículos a cada 100 habitantes era de 43,1, em 2010 cresceu para 61,34. Estamos na 8ª posição do ranking de cidades com o maior número de carros por habitante, na frente até da cidade de São Paulo.
O crescimento da população e do fluxo de veículos da cidade é notável e com o Programa BID Blumenau, que prevê resultados a longo prazo, temos a oportunidade de planejar a cidade de forma organizada, visando o futuro. Esse trabalho, além de ampliar e melhorar nosso sistema viário, ajudará a reduzir os níveis de CO2 e beneficiará o meio ambiente, uma preocupação mundial.
Desde que o “Dia Sem Carro” foi instituído na cidade, deixo o carro em casa e vou trabalhar de bicicleta. Por enquanto, temos essa atitude uma vez por ano. Mas, se todos agirem assim, o uso de meios alternativos não será apenas para conscientização e, sim, parte do nosso cotidiano.
FÁBIO FIEDLER|Vereador
As matérias a Seguir, foram "scanneadas", pois na forma On-line não saiu as figuras:
Link da versão on-line.
Segue Matéria na Folha de Blumenau:
Frota de Blumenau cresce 6,7% no ano( Link)
Enquanto a frota estadual cresceu 8% no último ano, o número de veículos em Blumenau aumentou 6,7% entre setembro de 2009 e agosto de 2010, atingindo 196.023 unidades. Apesar do índice, a relação de automóveis por habitante segue entre as mais altas do País. O número corresponde a um carro para cada 1,5 blumenauense. Para tentar reduzir os impactos dessa relação, a cidade adere nesta quarta-feira (22), ao “Dia Sem Carro”.
Na programação do encontro incluem-se ações de orientação e conscientização aos motoristas e pedestres. A rua XV de Novembro estará fechada entre 7h e 20h para distribuição de materiais educativos e apresentações artísticas relacionadas ao tema. “A data representa uma oportunidade para defender o meio ambiente e a qualidade de vida nas cidades”, constata a especialista em mobilidade e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Uniasselvi, Luciana Budag.
Nas ruas, a expectativa é de um dia de folga nas filas e engarrafamentos já típicos da cidade. Apesar dos projetos de mobilidade e inovações no trânsito, como expansão de ciclovias e instalação dos corredores de ônibus, o que se vê ainda é a constante evolução da frota, em escala independente do aumento da população, estimada em 299.416 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Para a professora, o aumento constante da frota traz não só mais congestionamentos, mas também problemas como poluição atmosférica, sonora, apropriação desigual do sistema viário e destruição do espaço vital, com passeios e praças dando lugar aos veículos. “Além disso, podemos destacar as mortes no trânsito, o prejuízo no desempenho dos ônibus e a necessidade cada vez maior de investimentos no sistema viário”, aponta.
Na contramão
Mesmo com esses reflexos, o aumento de carros, motos e caminhões mostra que a preocupação com a aquisição de veículos supera e muito o dilema de tráfego nos grandes centros. Enquanto a frota blumenauense saltou de 183,6 para 196 milhões de unidades, o aumento populacional segue em escala menor, na casa dos 2%. “O baixo índice de desemprego, alto poder aquisitivo e crédito fácil só contribuem com isso”, destaca.
Budag menciona ainda que o desafio central do Dia Sem Carro é justamente estimular as pessoas a deixarem os automóveis na garagem e buscarem formas de deslocamento que priorizem as necessidades do cidadão. “O ideal é estender essas ações, sempre que possível, para os outros dias do ano”, ressalta.
Nos últimos 12 meses, com o aumento da frota, a média de veículo por habitante ficou ainda mais dissonante da nacional, equivalente a um carro para sete brasileiros. Para Budag, essa relação impede que o problema de mobilidade seja solucionado. Entre as soluções projetadas pela especialista estão o incentivo a pedestres e ciclistas, que se locomovem sem agressões ao meio ambiente, além de alternativas energéticas para o transporte motorizado. “A diversidade no uso dos espaços urbanos seria outra alternativa, já que reduziria a necessidade de deslocamento”, explica.
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| Ruas já não comportam mais tantos veículos. A opção é reflexo da falta de qualidade do transporte coletivo (Stefanie Herz / Arquivo Folha) |
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Saiu no Santa.
CARTAS:
CICLOVIA
O projeto dos corredores de ônibus, que pode ser visto no site www.corredorbnu.com.br, apresenta uma ciclofaixa do lado esquerdo da via. Ela vai ser implantada ou perderão a oportunidade de fazer uma ciclofaixa decente na 7 de Setembro. O desenho indica que seria uma ciclofaixa de direção única, o que seria um ganho, desde que eduquem a população ciclística da cidade quanto à legislação de trânsito.
Carlos Roberto Pereira
Servidor público - Blumenau
VALTHER OSTERMANN:
Solução (1)
Fabrício, arquiteto e urbanista, ensina que a cidade deve preservar as árvores urbanas que interferem nas calçadas, ampliando a área do passeio público. Uma pequena obra para manter árvores que levaram anos para chegar ao atual estágio.
Solução (2)
Mas, se depender de alguns blumenauenses, o aumento do passeio público está fora de questão. A coluna já recebeu reclamações a respeito do alargamento das calçadas da Beira-Rio, sob a alegação que roubaram espaços de estacionamento e que o movimento de transeuntes lá é pequeno. E o futuro, como fica?
CICLOVIA
O projeto dos corredores de ônibus, que pode ser visto no site www.corredorbnu.com.br, apresenta uma ciclofaixa do lado esquerdo da via. Ela vai ser implantada ou perderão a oportunidade de fazer uma ciclofaixa decente na 7 de Setembro. O desenho indica que seria uma ciclofaixa de direção única, o que seria um ganho, desde que eduquem a população ciclística da cidade quanto à legislação de trânsito.
Carlos Roberto Pereira
Servidor público - Blumenau
VALTHER OSTERMANN:
Solução (1)
Fabrício, arquiteto e urbanista, ensina que a cidade deve preservar as árvores urbanas que interferem nas calçadas, ampliando a área do passeio público. Uma pequena obra para manter árvores que levaram anos para chegar ao atual estágio.
Solução (2)
Mas, se depender de alguns blumenauenses, o aumento do passeio público está fora de questão. A coluna já recebeu reclamações a respeito do alargamento das calçadas da Beira-Rio, sob a alegação que roubaram espaços de estacionamento e que o movimento de transeuntes lá é pequeno. E o futuro, como fica?
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